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O aquarismo do bem

Revista Aquamagazine

Edição nº 2

O aquarismo do bem

Muito mais que um hobby, o aquarismo sempre foi entretenimento, objeto e erramenta de estudo. Como diversão para o público leigo posso citar o grande número de aquários públicos pelo mundo afora, alguns muito famosos, como o Museu Oceanográfico de Mônaco o Oceanário de Lisboa (o maior aquário da Europa) e o Sea World e o Living Seas ambos em Orlando. Todos estes aquários são exemplos de empreendimentos lucrativos e que demandam mão-de-obra qualificada e multidisciplinar, são exemplos também de empresas bem administradas longevas e lucrativas.

No Brasil temos outros exemplos como o veterano Aquário de Santos e seu primo mais moderno o Aquário do Guarujá e a mais nova iniciativa o Aquário de São Paulo. Foi justamente nas minhas primeiras visitas ao Aquário de Santos, no início dos anos setenta, que eu descobri a minha vocação.

Mas é sobre o aquarismo como objeto de estudo e como laboratório que eu gostaria de escrever. É inegável que o hobby nos ensina muito e necessário ter a compreensão dos nômenos ambientais para entender o que acontece dentro do nosso aquário, e para isso nós vamos aprendendo conceitos de muitas disciplinas. Discorremos facilmente numa conversa sobre pH, dureza da água, matéria orgânica, volume, vazão, reprodução e poluição.

O aquarismo é grandioso, pois fornece o conhecimento a quem está começando aos poucos, e por observação e experimentação.

Neste quesito faço um desafio aos pais: qual será o brinquedo ou hobby dentro de casa, que mais educa uma criança? O potencial do nosso hobby é inigualável! Enquanto nos ebatemos com questões sobre a preservação ambiental não podemos esquecer da importância do aquário na educação ambiental.

Toda pessoa que possui um aquário compreende e respeita muito mais a natureza, pois sabe quão delicado é seu equilíbrio e também sabe que sua paixão pelo hobby depende da valorização e preservação das espécies e por conseqüência do meio ambiente.

Hoje o aquarismo sofre muito com a expansão das fronteiras agrícolas, alterações dos cursos de água, poluição e pesca excessiva, enfim, com a degradação do Planeta Terra. Como conseqüência, surgiu a necessidade de se cultivar as espécies em cativeiro, o que recebeu o nome de aqüicultura, e se tornou o maior responsável pelo abastecimento do comércio do aquarismo. Sendo este um empreendimento lucrativo e perfeitamente sustentável pelo meio ambiente.

Várias espécies de peixes da Região do Cerrado e da mata atlântica já estariam extintas se não fosse pela iniciativa própria e apaixonada de muitos aquaristas que se interessaram pela preservação e manutenção destes pequenos peixes, estudando-os e desenvolvendo técnicas de procriação em cativeiro.

Esta atividade amadora é desenvolvida já há muito tempo no mundo inteiro e no Brasil há mais de trinta anos, quando o único preocupado em preservar era o próprio aquarista. Muito antes de se pensar em criar peixes e camarões para alimentação humana em grandes fazendas aquáticas o homem já criava peixes em cativeiro por puro amor à natureza e hoje esta atividade fornece conhecimento e tecnologia para que nós possamos aumentar as nossas fontes de produção de alimentos.

Diferentemente do que muitos pensam foi a produção de peixes e outros organismos aquáticos em cativeiro, diga-se em aquários, que salvou muitas espécies da extinção e hoje promove emprego e sustento para algumas populações ribeirinhas que viram a fonte natural do seu sustento esgotar. É lógico que cabe a nós mantermos a ética e a responsabilidade da nossa atividade e para isso temos que permanentemente dar o exemplo a quem está começando. Antes de tudo devemos nos preparar para abrigar com qualidade os peixes e outros seres vivos que decidimos manter em nossos aquários.

Parabéns a todos que ingressaram no hobby e tenham a certeza que ele nos fará bem em todos os aspectos.

AQ02

Aquamagazine Edição 02


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